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25 de Junho de 2021
2º Grau
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Detalhes da Jurisprudência
Órgão Julgador
1ª Turma Criminal
Publicação
Publicado no PJe : 13/05/2021 . Pág.: Sem Página Cadastrada.
Julgamento
29 de Abril de 2021
Relator
J.J. COSTA CARVALHO
Documentos anexos
Inteiro TeorTJ-DF__07104142220208070009_9334e.pdf
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Inteiro Teor

Poder Judiciário da União

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS

TERRITÓRIOS

Órgão 1ª Turma Criminal

Processo N. APELAÇÃO CRIMINAL 0710414-22.2020.8.07.0009

APELANTE (S) DIEGO FERREIRA DE CARVALHO

APELADO (S) MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

Relator Desembargador J. J. COSTA CARVALHO

Revisor Desembargador HUMBERTO ULHÔA

Acórdão Nº 1336519

EMENTA

APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. PRISÃO EM FLAGRANTE. POSSE DE OBJETO SUBTRAÍDO. RECONHECIMENTO SEGURO PELA VÍTIMA. AUTORIA

COMPROVADA. CONDENAÇÃO MANTIDA. COAUTORIA. ANÁLISE DAS

CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME DESFAVORÁVEIS.

IDÊNTICA FUNDAMENTAÇÃO PARA AMBOS OS RÉUS. AUMENTOS DISTINTOS.

VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. REDUÇÃO DO AUMENTO. MAUS

ANTECEDENTES. DUAS CONDENAÇÕES DEFINITIVAS. AUMENTO DE 1/8 MANTIDO.

REINCIDÊNCIA. FRAÇÃO DE AUMENTO DE 1/6 NA SEGUNDA FASE. RECURSO

PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Suficiente como prova da autoria do delito de roubo circunstanciado, o reconhecimento seguro do

réu realizado pela vítima, tanto na delegacia quanto em juízo, como coautor da subtração violenta de

seus bens, especialmente se foi preso em flagrante na companhia do coautor que não recorreu, na posse de parte dos bens subtraídos momentos antes.

2. Nos casos de coautoria, diante da análise desfavorável de circunstância judicial em relação aos

corréus, com base em idêntica fundamentação, o aumento da pena-base em patamares distintos, viola o princípio da isonomia, impondo-se a readequação da dosimetria.

3. Embora reduzido para 6 meses o aumento de pena pela análise desfavorável das circunstâncias do

crime, mantém-se a exasperação de 9 meses pelos maus antecedentes, diante da existência de duas

condenações definitivas utilizadas para justificar a análise negativa desta circunstância judicial.

5. Recurso parcialmente provido.

ACÓRDÃO

Acordam os Senhores Desembargadores do (a) 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito

Federal e dos Territórios, J. J. COSTA CARVALHO - Relator, HUMBERTO ULHÔA - Revisor e

CESAR LOYOLA - 1º Vogal, sob a Presidência do Senhor Desembargador J. J. COSTA

CARVALHO, em proferir a seguinte decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO.

UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.

Brasília (DF), 06 de Maio de 2021

Desembargador J. J. COSTA CARVALHO

Presidente e Relator

RELATÓRIO

Trata-se de recurso de Apelação Criminal interposto por DIEGO FERREIRA DE CARVALHO ,

contra a r. sentença proferida pelo d. Juiz da MM. Primeira Vara Criminal de Samambaia, pela qual o condenou pela prática do delito de roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e emprego de arma branca (art. 157, § 2º, incisos II e VII do CP), a cumprir uma pena de 8 (oito) anos, 6 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, no regime inicial fechado, e mais o pagamento de 20 (vinte) dias-multa, à

razão de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente à época dos fatos.

Nas razões recursais que foram apresentadas, a d. Defensoria Pública, postulou pela reforma da r.

sentença para absolver o acusado/apelante, com fundamento na insuficiência de provas para a sua

condenação (art. 386, VII, CPP). Subsidiariamente, requereu a redução do aumento da pena-base pela análise desfavorável das circunstâncias do crime, para 6 (seis) meses, conforme ocorreu em relação ao corréu WAGNEY. Requereu, ainda, a redução do aumento de pena pela incidência da agravante da

reincidência, para o mesmo patamar da primeira fase, a fim de manter a proporcionalidade.

No que se refere à alegação de insuficiência de provas para a condenação, afirmou que o apelante

negou a prática do crime em juízo, afirmando que não conhecia o coautor WAGNEY, fato por este

confirmado, e que estava em casa, no horário em que o crime foi perpetrado. Além disso, apenas a

mochila da vítima foi encontrada na posse do apelante, mas nenhum outro objeto subtraído, bem como a faca utilizada para ameaçá-la, foram localizados.

nas descrições fornecidas pela vítima, a qual afirmou que eles usavam roupas diferentes. Por fim,

sustentou que, todas as incongruências ocorridas na apuração dos fatos, não foram sanadas pelas

declarações das vítima, que são bastante inconclusivas.

Com relação ao primeiro pleito subsidiário, afirmou que, para cada circunstância judicial considerada desfavorável em relação ao apelante (antecedentes e circunstâncias do crime), o d. juiz prolator da r.

sentença exasperou a pena-base em 9 (nove) meses de reclusão; já em relação ao corréu WAGNEY,

em que foram consideradas desfavoráveis apenas as circunstâncias do crime, com base nos mesmos

fundamentos, a pena-base foi exacerbada em 6 (meses), o que se mostra desproporcional e

injustificável.

Afirmou que a pena foi aumentada em 11 (onze) meses pela incidência da agravante da reincidência,

devendo esse quantumser reduzido para 9 (nove) meses, mantendo-se a mesma proporcionalidade

entre a primeira e a segunda fase, conforme entendimento jurisprudencial adotado por esta egrégia

Corte de Justiça (ID 23052505, págs. 240/252).

O ilustre representante do Ministério Público em 1º Grau não apresentou contrarrazões formais,

conforme (ID 23052502, págs. 235/237).

A ilustrada Procuradoria de Justiça oficiou pelo conhecimento e não provimento do recurso (ID

23436296, págs. 256/261).

É o relatório.

VOTOS

O Senhor Desembargador J. J. COSTA CARVALHO - Relator

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Segundo consta da denúncia, no dia 04 de setembro de 2020, por volta das 5h15min, em uma parada de ônibus, localizada na QS 425 de Samambaia, o acusado/apelante, em concurso com o coautor

WAGNEY MORI ROCHA, mediante ajuste prévio e emprego de grave ameaça exercida com o

emprego de arma branca, subtraíram um aparelho de telefonia celular e uma mochila com ferramentas pertencentes a CLEIDSON GITRUDE DE ALMEIDA.

Conforme consta do relatório, pela r. sentença recorrida, o apelante foi condenado a cumprir uma pena de 8 (oito) anos, 6 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, no regime inicial fechado, mais o

pagamento de 20 (vinte) dias-multa, à razão de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente à época dos fatos

A d. defesa nas razões recursais apresentadas pugna pela sua absolvição, com fundamento na

insuficiência de provas para a condenação.Diante da análise do contexto fático e probatório, contudo, sua tese não merece acolhida.

A autoria , ao contrário do afirmado pela d. defesa, também restou devidamente comprovada. Ora,

pelo que consta dos autos, o roubo ocorreu por volta das 5h15min. Após a sua consumação, conforme afirmado pela vítima, perante a autoridade policial, ela se dirigiu à delegacia de polícia para realizar o registro da ocorrência. Mais tarde, quando retornava para sua casa, avistou os autores do crime e

acionou a polícia que prendeu os dois. Ressaltou que nesse momento eles já haviam trocado de roupas e que sua mochila estava na posse do coautor WAGNEY, em cujo interior ainda estava sua marmita e alguns terminais elétricos, mas a maioria de suas ferramentas e o telefone celular não foram

localizados (pag. 14).

Deve ser ressaltado ainda que, na mesma data da prisão, a vítima realizou o reconhecimento formal do apelante e do coautor, conforme consta do auto de reconhecimento de pessoa de ID 23052165, pág.

19).

O apelante e o coautor, de acordo com os respectivos termos de interrogatório, não foram ouvidos na delegacia policial, “pois estavam bastante nervosos, totalmente descontrolados, se debatendo e se

jogando contra as celas do cubículo, aparentemente sob o efeito de drogas”, razão pela qual foram

encaminhados ao IML (ID 23052165, págs. 15 e 17).

Interrogado em juízo, o apelante negou ter participado da prática do crime, afirmando que no dia dos fatos saiu de casa por volta das 7h, com destino à QR 421 de Samambaia, onde há um lote

abandonado, no qual usuários de droga se reúnem, local onde também compareceu o coautor

WAGNEY, pouco tempo depois. Logo em seguida policiais militares apareceram e lhe deram voz de prisão, afirmando que ele teria participado de um roubo na quadra vizinha. Eles realizaram buscas no lote e localizaram a mochila da vítima, mas não tinha conhecimento que tal objeto encontrava-se no

local (mídia de ID 23052205).

O corréu WAGNEY também negou sua participação na prática do crime (mídia de ID 23052204).

Durante sua oitiva em juízo, a vítima CLEIDSON confirmou que, após retornar da delegacia policial, avistou os autores do crime e acionou a polícia que os prendeu e aprendeu sua mochila na posse de um deles. Além disso, ratificou o reconhecimento do apelante e de seu comparsa, durante a audiência

(mídia de ID 23052203).

Os policiais militares HERBERT TAVEIRA DE OLIVEIRA e THIAGO RODRIGUES ALVES,

disseram que foram acionados pela vítima, que narrou o ocorrido e repassou as características dos

suspeitos pela prática do roubo. Saíram em diligências e conseguiram prender os dois, bem como

recuperar a mochila subtraída, que estava na posse de um deles. Afirmaram que ambos foram

reconhecidos pela vítima (mídias de IDs 23052186 e 23052187).

No ponto, foram expendidos os seguintes fundamentos na r. sentença, para demonstrar as provas da

autoria do crime imputado ao apelante e ao corréu que não recorreu, os quais, com a devida licença,

adoto como parte das razões de decidir, in verbis:

“Com efeito, a vítima Cleidson Gitrude de Almeida declarou em Juízo que, no dia dos

fatos, estava (sic) saiu para o trabalho, por volta das 5h10, quando avistou os acusados,

na companhia de uma mulher, que acredita ser namorada de um dos assaltantes que

reside na mesma quadra do depoente; que seguiu em direção à parada, tendo os

indivíduos deixado a companhia da mulher e ido em sua direção, e logo começaram a

conversar com o depoente; que, após sentar-se na parada de ônibus, um dos assaltantes

aproximou-se, puxou a faca e anunciou o assalto dizendo: ‘se você mexer, eu vou te

meter a faca’; que subtraíram a mochila do depoente, a qual continha em seu interior

ferramentas de trabalho, o seu celular, e fugiram em seguida; que, após o assalto, subiu

para a parada de cima e comunicou os fatos aos policias que passavam em uma viatura;

que os policiais fizeram ronda na quadra, mas não localizaram os indivíduos; que, ao

retornar da delegacia onde registrou ocorrência policial, avistou os dois assaltantes com

a sua mochila nas costas, momento em que acionou a polícia novamente; que os policiais

prenderam os roubadores, porém a mochila apreendida não estava mais com os

pertences em seu interior (ferramentas, cartão de transporte e objetos de uso pessoal);

que a mochila estava na posse do assaltante que deu apoio ao outro, que portava a faca e

anunciou o assalto; que o prejuízo material foi da ordem de R$ 1.900,00 (ID 76126538).

Ressalto que, chamado a proceder ao reconhecimento pessoal em Juízo, a vítima

Cleidson reconheceu, com convicção, os dois acusados como sendo os autores do

roubo, momento em que afirmou que o réu Diego Ferreira era o indivíduo que portava

a faca, quando anunciaram o assalto (ID 76555069).

A corroborar a prova da autoria delitiva, a testemunha policial Herbert Taveira de

Oliveira, devidamente compromissada, afirmou que estava em patrulhamento na área

próxima ao local do roubo, quando foram abordados pela vítima que narrou o fato e

disse que havia registrado ocorrência policial; que a vítima repassou as características

físicas e vestimentas usadas pelos assaltantes e afirmou que estavam em uma rua

próxima ao local da viatura policial; que, após diligências, encontraram o acusado

Wagney, o qual usava as mesmas roupas descritas pela vítima e estava na posse da

mochila preta pertencente à vítima, embora sem os pertences em seu interior; que, após

realizarem a abordagem, Wagney levou-os até um lote abandonado, mas disse que não

havia ninguém em sua companhia; que realizaram buscas no lote e encontraram Diego,

o qual foi em direção aos policias e afirmou que não devia nada e estava apenas usando

droga no local; que não lograram êxito em localizar o celular e os pertences da vítima

nem a arma branca utilizada no roubo; que, mesmo à distância, a vítima reconheceu

Wagney e Diego como os autores do roubo; que Wagney disse aos policiais que ele e

Diego se conheciam (ID 73979045).

Por sua vez, a testemunha policial Thiago Rodrigues Alves, devidamente compromissada,

afirmou que receberam um chamado pelo gerenciamento de ocorrências dizendo que

uma vítima de roubo havia reconhecido um dos autores do crime; que conversaram com

a vítima e pegaram as características dos assaltantes e vestimentas por eles utilizadas;

que, após diligências realizadas, conseguiram localizar um dos suspeitos, o qual usava

bermuda vermelha, blusa cinza escura e estava na posse da mochila preta da vítima; que

o celular e os instrumentos não estavam em poder do indivíduo abordado; que um

segundo indivíduo estava dentro de um lote abandonado, mas não se recorda a roupa

que usava; que a vítima reconheceu os dois abordados como autores do roubo; que foi

Wagney quem proferiu a ameaça à vítima (ID 73979046).

Portanto, considerando o reconhecimento dos dois acusados realizado em Juízo, os

depoimentos das testemunhas policiais e a prisão em flagrante de um dos assaltantes

na posse da mochila do ofendido, pouco tempo após a subtração, sobeja certeza acerca

da autoria imputada aos réus ” (págs. 178/179 - grifos nossos).

A estes fundamentos, acrescento que a vítima CLEIDSON, durante sua oitiva em juízo, confirmando o que já havia expressado perante a autoridade policial, asseverou que, no momento da prisão, os réus já haviam trocado de roupa, pois usavam bermudas e, quando cometeram o crime estavam de calças

jeans.

Além disso, esclareceu que chegou a conversar com eles momentos antes, quando estavam na rua por onde seguia, na companhia de uma mulher, e que já conhecia um deles de vista, pois ele morava na

sua quadra e sempre o via na rua, acreditando tratar-se do apelante, mas somente poderia ter certeza se os visse. Além disso, afirmou que também conversou com eles, na parada de ônibus onde se deram os fatos, antes de ser surpreendido com o anúncio do roubo.

Diante desses fundamentos, não vinga a tese de insuficiência de provas para a condenação do

apelante, sendo de rigor a manutenção da r. sentença, neste ponto.

Dito isso, passo à análise da dosimetria da pena.

Na primeira fase , o d. prolator da r. sentença considerou desfavoráveis ao réu as circunstâncias

judiciais relativas aos antecedentes e às circunstâncias do crime , razão pela qual fixou a pena-base em 5 (cinco) anos e 6 (seis) meses de reclusão, 18 (dezoito) meses acima do mínimo legal, 9 (nove)

meses para cada uma delas, observando-se a fração de 1/8 (um oitavo) obtida da diferença entre a

pena máxima e a mínima abstratamente cominadas ao crime, conforme critério adotado por esta

egrégia Corte.

No ponto, a d. defesa afirmou que o aumento de 9 (nove) meses em razão da análise desfavorável das circunstâncias do crime deve ser reduzido para 6 (seis) meses, mesmo quantumde exasperação

utilizado em relação ao corréu que não recorreu, em relação ao qual a referida circunstância judicial

também foi considerada desfavorável, com base nos mesmos fundamentos expendidos quanto ao

apelante.Razão assiste à d. defesa

Embora analisadas separadamente as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, para cada

um dos coautores, de fato, para justificar a análise desfavorável das circunstâncias do crime,

expenderam-se, na r. sentença, os mesmos fundamentos em relação a ambos, afirmando-se que estas “extrapolam as exigidas pelo tipo penal, pois o roubo foi praticado com o emprego de uma faca,

facilitando a empreitada delitiva, uma vez que o artefato causou maior temor e perigo de lesão à

integridade física do ofendido, se comparado o crime praticado sem a arma branca (apenas mediante grave ameaça), o que lhe deve ser valorado negativamente, em atenção ao princípio da

individualização da pena”.

Com efeito, tratando-se de concurso de pessoas, em que os coautores do delito encontram-se em

idêntica situação processual, como no presente caso, no que se refere à circunstância judicial relativa às circunstâncias do crime, vigora no Direito Penal o princípio da isonomia, de modo que ao julgador está vedado, diante de idênticos fundamentos, invocados para justificar a análise desfavorável de

determinada circunstância judicial, em relação a todos os réus, exasperar a pena-base em quantidades distintas, sob pena de violação ao referido princípio.

Assim, tratando-se de recurso exclusivo da d. defesa, e considerando que as circunstâncias do crime

foram consideradas desfavoráveis ao apelante, bem como ao corréu que não recorreu, com base nos

mesmos fundamentos, exasperando-se a pena-base, respectivamente, em 9 (nove) e 6 (seis) meses de reclusão, impõe-se a sua readequação em relação ao apelante, a fim de se aplicar este último aumento.

Lado outro, embora não tenha sido objeto de impugnação nas razões recursais que foram oferecidas, necessário se faz esclarecer um segundo ponto: veja-se que, duas foram as circunstâncias judiciais

consideradas desfavoráveis ao réu e, uma vez reduzida a exasperação da pena-base em relação uma

delas (circunstâncias do crime) e permanecendo inalterado o aumento em relação à outra

(antecedentes), poderia ser alegada a ocorrência de violação ao princípio da individualização da pena, considerando a existência de aumentos distintos. Contudo, tal não se deu no presente caso.

De se ver que, diante da análise desfavorável de circunstância judicial, a exasperação da pena deve

observar a fração norteadora de 1/8 (um oitavo) obtida da diferença entre a pena máxima e a mínima abstratamente cominadas ao crime. Contudo, o julgador não está impedido de aplicar aumento

superior à referida fração, sempre que houver fundamentos concretos que assim o justifique.

penais, observo que o réu ostenta contra si 3 (três) condenações criminais pretéritas (ID 72098915 -Pág. 58, 60-61 e 62-63), das quais utilizarei uma delas na segunda fase da dosimetria, a título de

reincidência, e as demais, nesta fase, como maus antecedentes” (pág. 180).

Portanto, considerando a existência de duas condenações definitivas, utilizadas como antecedentes, a meu sentir deve ser mantida a exacerbação de 9 (nove) meses de reclusão, em face da análise

desfavorável dessa circunstância judicial.

A propósito do tema, trago à colação os seguintes julgados desta egrégia Corte:

“2. (...) O magistrado possui certa discricionariedade no momento de estabelecer o

quantum de aumento da pena-base, devendo atender, no entanto, aos princípios da

proporcionalidade e da razoabilidade. Na espécie, verifica-se que que o Embargante está

muito envolvido na criminalidade, ao ponto de registrar, em um curto espaço de tempo,

uma folha penal com três condenações por crimes de furto, roubo e estupro. Logo, o

aumento da pena base em razão de 1/4 (um quarto) pelos antecedentes, não foge da

razoabilidade, se consideradas que as finalidades das penas são as reprovações e

prevenções. 3. Negado provimento ao recurso. Maioria.” (Acórdão 1282714,

00056173820158070003, Relator: JOÃO TIMÓTEO DE OLIVEIRA, , Revisor: JESUINO

RISSATO, Câmara Criminal, data de julgamento: 9/9/2020, publicado no PJe:

24/9/2020. Pág.: Sem Página Cadastrada.)".

“(...) 3. No caso, embora o réu tenha em seu desfavor apenas a circunstância judicial

relativa aos antecedentes, a referida circunstância foi configurada por 5 (cinco)

condenações criminais transitadas em julgado, além daquela utilizada para a

configuração da reincidência, o que constitui fundamentação concreta e idônea para a

fixação da pena-base em patamar superior a 1/8 (um oitavo).” (...) (Acórdão 1189091,

20170110591794APR, Relator: DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI, , Revisor:

NILSONI DE FREITAS CUSTODIO, 3ª TURMA CRIMINAL, data de julgamento:

25/7/2019, publicado no DJE: 31/7/2019. Pág.: 149/159)".

Com estes fundamentos, mantido o aumento de 9 (nove) meses de reclusão pela análise desfavorável dos antecedentes e reduzido para 6 (seis), aquele relativo às circunstâncias do crime, fixo a pena-base em 5 (cinco) anos e 3 (três) meses de reclusão. Mantenho a pena pecuniária em 13 (treze) dias-multa, pois já foi fixada em patamar bastante benéfico ao réu.

Na segunda fase , ausentes circunstâncias atenuantes, mas presente a agravante da reincidência, a pena foi majorada de 1/6 (um sexto), o que resultou em 11 (onze) meses de acréscimo. A d. defesa postula pela redução desse aumento para 9 (nove) meses, a fim de se manter a mesma proporcionalidade com a primeira fase da dosimetria, mas sem razão.

No ponto, prevalece o entendimento no sentido de que, nasegundafaseda dosimetria, para cada

circunstância agravante ou atenuante, deve ser aplicada a fração de1/6 (um sexto), incidente sobre

apena-base, para aumentar ou diminuir a reprimenda. A jurisprudência não discrepa desse

entendimento, in verbis:

“(...) Na segunda fase do cálculo da pena, por força da agravante da reincidência, deve

a sanção ser acrescida em 1/6 (um sexto) da pena-base, fração de aumento aceita pela

jurisprudência deste e. TJDFT. Apelação parcialmente provida para reduzir a pena.”

(...) (Acórdão 1318289, 00016206520208070005, Relator: MARIO MACHADO, 1ª

Turma Criminal, data de julgamento: 18/2/2021, publicado no PJe: 28/2/2021. Pág.:

Sem Página Cadastrada.)".

Turma Criminal, data de julgamento: 4/2/2021, publicado no PJe: 19/2/2021. Pág.: Sem

Página Cadastrada.)".

Sendo assim, mantenho o aumento na fração de 1/6 (um sexto), ficando a pena provisoriamente

estabelecida em 6 (seis) anos, 1 (um) mês e 15 (quinze) dias de reclusão, mais 15 (quinze) dias-multa.

Na terceira fase , presente a causa especial de aumento de pena do concurso de pessoas, mantenho o aumento da pena em 1/3 (terço), tornando-a definitiva em 8 (oito) anos e 2 (dois) meses de reclusão, mais o pagamento de 20 (vinte) dias-multa, no valor unitário mínimo.

Considerando o montante de pena imposta, a reincidência, bem como a análise desfavorável de parte das circunstâncias judiciais, mantenho o regime inicial fechado para o cumprimento da pena, com

fulcro no a 33, § 2º, alínea a e § 3º do Código Penal.

Em face destes mesmos fundamentos, registro que o réu não faz jus à substituição da pena privativa

de liberdade por restritivas de direitos, nem à sua suspensão condicional (arts. 44 e 77 do CP).

Ante o exposto, sem mais delongas, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO a fim de

redimensionar a pena imposta ao réu para 8 (oito) anos e 2 (dois) meses de reclusão, conforme

fundamentação supra e mantenho, quanto ao mais, o que estabelecido pela r. sentença fustigada.

É como voto.

O Senhor Desembargador HUMBERTO ULHÔA - Revisor

Com o relator

O Senhor Desembargador CESAR LOYOLA - 1º Vogal

Com o relator

DECISÃO

DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME

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