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25 de Junho de 2018
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    Justiça Infantojuvenil do DF recebe palestrantes alemães para falar de Constelação Familiar

    O Fórum da Justiça da Infância e da Juventude do Distrito Federal recebeu, na tarde desta segunda-feira, 11/6, o professor e terapeuta alemão Jakob Schneider e a professora e orientadora escolar alemã Sieglinde Schneider, que proferiram a palestra “Fortalecer e reconstruir os vínculos familiares pela abordagem da Constelação Familiar” para cerca de 90 pessoas, a maioria servidores do Judiciário.

    O objetivo da palestra foi difundir nos órgãos que compõem a rede protetiva infantojuvenil a Constelação Familiar como método inovador de abordagem sistêmica, que, ao reconstruir a árvore genealógica de cada indivíduo, pretende analisar se os seus problemas atuais são frutos ou reprodução de problemas ou situações transgeracionais, ou seja, estigmas transmitidos pelos membros das famílias durante o tempo.

    Os palestrantes relataram exemplos concretos da utilização da técnica para demonstrar resultados obtidos por meio da abordagem sistêmica tanto com crianças e adolescentes quanto com adultos. Com o intuito de deixar claro como a Constelação Familiar foi aplicada em casos atendidos por eles, Jakob e Sieglinde Schneider simularam a técnica com a participação do público presente.

    Segundo Jakob, a resolução de conflitos pela Constelação Familiar envolve o entendimento sistêmico dos relacionamentos, com um olhar mais amplo sobre o indivíduo e as relações entre as pessoas envolvidas. “O jovem infrator vive muitas vezes em uma família desestruturada. É preciso olhar esse jovem no contexto das suas relações. Olhar o sistema relacional que envolve a vida do jovem”, disse o professor Schneider.

    Para os palestrantes, é preciso sair do padrão “culpado versus inocente” na busca do entendimento entre as pessoas. “Na Constelação Familiar, a gente olha para além da culpa, olha para o sentido do problema no âmbito das relações”, afirmaram. De acordo com o casal Schneider, o jovem e sua família precisam de um entendimento em relação às circunstâncias dos fatos, sendo importante, portanto, observar o contexto das ocorrências e dos conflitos.

    Ainda conforme os professores, no caso de jovens infratores, é necessário também voltar o olhar para o contexto social, o Estado, o país, na busca do sentido e das raízes dos problemas vividos por eles e suas famílias. “O problema do jovem infrator é coletivo. Não vamos mudar a sociedade com as constelações familiares, mas podemos trabalhar em grupos, esperando que a semente germine e influencie a sociedade como um todo”, afirmou Jakob.

    Em relação às crianças, os palestrantes abordaram temas como sofrimento e comportamentos frutos de experiências transmitidas pelos pais e outros familiares. Segundo eles, as crianças acabam tomando para si questões pelas quais suas famílias não se responsabilizaram. Por isso, deve-se questionar o que fazer com os pais para que a criança seja libertada do seu sofrimento. “Ajudamos as crianças de forma mais eficiente quando buscamos o sentido maior do seu problema”, disse Sieglinde Schneider.

    Outro ponto destacado pelos palestrantes foi a visão sistêmica acerca dos destinos, das exclusões e dos papéis dos indivíduos nas suas respectivas famílias, entre outras questões. Segundo o casal, a Constelação Familiar ajuda a identificar como uma família pode funcionar de forma mais adequada e harmônica, com cada membro ocupando seu devido lugar e se sentindo parte importante do sistema familiar. Jakob Schneider afirmou ser necessário “fortalecer o feminino na mulher e o masculino no homem”.

    De acordo com os palestrantes, tomar a nossa ancestralidade como força para o futuro nos auxilia a seguir em frente, independentemente do que se passou. Segundo o casal, esta é a pergunta básica da Constelação Familiar: “Como a vida pode fluir?”. Na visão deles, resolver os nossos conflitos e descobrir de onde vem a nossa força vital é “tomar a vida” e seguir seu fluxo próprio através das gerações.

    Sobre o evento

    A palestra foi promovida pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do Distrito Federal (CIJ-DF) e pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, por meio da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e da instituição parceira Consultoria Sistêmica. Os palestrantes foram recebidos pela assessora administrativa substituta da CIJ-DF, Karla Guimarães, que os apresentou ao público no início do evento e ao final agradeceu a parceria e a oportunidade dada à Justiça Infantojuvenil do DF.

    Compuseram a mesa juntamente com os palestrantes a coordenadora técnica do curso de pós-graduação da Consultoria Sistêmica, Miriam Braga; as voluntárias na aplicação da Constelação Familiar no TJDFT Adhara Campos Vieira, autora do livro “A constelação sistêmica no Judiciário”, e Miriam Bastos Tavares; além da tradutora Ulrike Holtz. A plateia contou com a presença de profissionais que já utilizam constelações familiares bem como de interessados no tema.

    Os palestrantes são docentes da instituição Consultoria Sistêmica, nos cursos de pós-graduação de “Especialização Sistêmica Fenomenológica Familiar” e de “Especialização Sistêmica Fenomenológica Pedagógica – Paradigma Inovador da Educação no Âmbito Escolar”. Clique aqui para saber mais sobre esses cursos, cuja aula inaugural também ocorreu nesta segunda-feira, 11/6.

    Experiência no TJDFT

    Por meio do projeto Constelar e Conciliar, o TJDFT vem utilizando com êxito a Constelação Familiar em diversas áreas como, por exemplo, no sistema socioeducativo com os adolescentes em conflito com a lei. A técnica é aplicada em uma oficina vivencial para a qual as partes dos processos são convidadas a participar de maneira totalmente voluntária. A abordagem sistêmica ajuda a identificar conflitos escondidos por trás das demandas judiciais, por meio do esclarecimento de percepções equivocadas das relações familiares.

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